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D. ANTÓNIO ALVES MARTINS

(1808-1862) - bispo e político

Homem de origens humildes, nascido no concelho de Alijó em 1808, António Alves Martins seguiu a vida eclesiástica, ingressando na Ordem dos Terceiros Franciscanos. Mais tarde, viria a estudar Teologia na Universidade de Coimbra. Aí aderiu à causa liberal, sendo suspenso e perseguido pelas forças miguelistas. Julgado e condenado à morte, escapou já a caminho do local de execução.
Diplomado em 1837, seguiria um percurso de vida ecléctico, por vezes polémico, assente na defesa abnegada e intransigente das causas que entendia defender, fiel às suas convicções e em liberdade. Foi clérigo, professor, jornalista, enfermeiro-mor do Hospital de S. José, jornalista, membro da Maçonaria, deputado, dirigente político, Ministro do Reino (1869-1871) e Bispo de Viseu desde 1862.
A sua adesão aos ideais liberais foi explicada pelo próprio de forma simples: «Como português, não podíamos ser insensíveis aos males sofridos pelo mais bondoso povo da Terra…». Na governação, preocupou-se com o desequilíbrio entre a receita e a despesa, afirmando que o Reino tinha que «mudar de vida». Como Bispo era estimado pela população mas nem sempre atento ao desempenho quotidiano dos seus deveres pastorais. Todavia, não deixava de exortar os sacerdotes da diocese a estar atentos às necessidades dos paroquianos e a levarem uma vida exemplar, lamentando que «todos os que não eram padres fossem contra os padres».
Homem invulgar e polémico, Alves Martins morreu pobre no Paço do Fontelo. Ao seu funeral acorreram pessoas de todas as condições e de todo o país. Viseu cumpriu, em 1911, a homenagem devida, com a inauguração de uma monumental estátua do escultor António Teixeira Lopes.