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CAPITÃO ALMEIDA MOREIRA

(1873-1939) - militar, museólogo e autarca

O Capitão Francisco António de Almeida Moreira (Viseu, 25/11/1873-18/12/1939) é uma figura incontornável na história contemporânea viseense. Foi um homem multifacetado: militar de carreira, professor do Liceu, autarca, investigador e museólogo, dirigente desportivo e associativo, organizador de eventos, viajante, colecionador de arte e artista amador.
Deixou obra escrita diversificada (crónica desportiva, relatos de viagens, divulgação turística, estudos artísticos), e dispersa por jornais, revistas, guias e monografias. Possuidor de formação artística e amigo de personalidades como Columbano e Raúl Lino, tornou-se conhecido a nível nacional e internacional como organizador e primeiro diretor do Museu de Grão Vasco, a partir de 1916. Essa dimensão está bem atestada no obituário publicado em 1940 na revista Ocidente que destacou o seu papel de museólogo e assinalou o dia do seu falecimento como um dia de «luto nacional, no coração dos amigos da Arte».
A nível local, integrou diversos executivos municipais (1918-1934), inclusivamente como Vice-Presidente, e foi influente dirigente na Comissão de Iniciativa e Turismo de Viseu (entre 1927 e 1936). Nesses dois palcos complementares, foi decisivo para a modernização de Viseu e para a sua promoção como destino turístico, inclusivamente através de um pioneiro filme-documentário.
Combinando cosmopolitismo e valorização das tradições, «ajardinou interessantemente todos os largos e recantos de Viseu, colocou por todos os lados artísticos azulejos e deu à sua airosa Cidade um ambiente mais moderno, claro e gracioso (…)» (Comércio do Porto 27/04/1934). O Rossio, com o Painel de Azulejos de Joaquim Lopes (1931), a Glorieta a Tomás Ribeiro (inspirada no mobiliário do Parque Maria Luisa, em Sevillha) e o Parque do Fontelo são disso exemplo.
Perto do final da vida, quando deixou as suas funções na autarquia, incompatibilizado com alguns membros da vereação, o Comércio do Porto (16/05/1934) lamentou o facto, salientando que «a Almeida Moreira deve a cidade de Viseu mais que a ninguém, nos últimos cem anos. É uma verdade que nem inimigos se atrevem a contestar». Legou por testamento a sua Casa do Soar, a coleção de arte e a biblioteca pessoal «à cidade de Viseu, representada pela sua Câmara Municipal», para a criação de um «pequeno Museu-Biblioteca», que seria inaugurado a 8/09/1940, com o nome de “Museu-Biblioteca Almeida Moreira”. A partir de 1965 passou a designar-se “Museu Almeida Moreira” e, após profunda remodelação, integra a Rede Municipal de Museus.