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Cava de Viriato é “digitalizada” por drones para ajudar a investigar o seu enigma

A Cava de Viriato é hoje palco de uma operação de digitalização inédita, através da realização de um ortofotomapa de muita alta resolução.

Esta “radiografia” é realizada através do recurso a drone e possibilitará a criação de um modelo digital da superfície e do terreno deste património viseense e monumento nacional (desde 1910), e do seu espaço envolvente.

Espera-se que a informação produzida permita uma melhor compreensão da estrutura do monumento e uma identificação de eventuais estruturas ou contextos antigos que possam estar ainda soterrados, e merecem uma futura observação e escavação.

A iniciativa decorre no âmbito do programa municipal VISEU PATRIMÓNIO e é dirigida pela sua Coordenadora Científica, Catarina Tente.

A Cava de Viriato é a maior construção em terra da Península Ibérica formando um octógono perfeito com dois quilómetros de extensão. Desde acampamento romano a estrutura militar árabe, a Cava tem sido alvo de diversas interpretações. Contudo, a tese mais recente sugere que o monumento foi construído durante a ocupação cristã dos séculos IX e X, podendo corresponder a um projeto de uma nova cidade de poder.

“Não abrimos mão de uma agenda de investigação sistemática sobre a Cava de Viriato, que permanece como o mistério maior da arqueologia nacional”, justifica o Vereador da Cultura e do Património de Viseu, Jorge Sobrado. “A sua monumentalidade e a sua singularidade justificam plenamente a prioridade de investigação e valorização que lhe conferimos neste programa municipal”, explica. “Qualquer aproximação à sua verdade será uma conquista e um estímulo”.  

A tecnologia digital empregue permite não só criar imagens de alta resolução da superfície e das estruturas existentes na Cava, como possibilita a realização de análises fisiográficas e cálculo de volumes, como cobertos florestais, pedreiras, aterros, edificações urbanas, lotes agrários, entre outras estruturas.

“A Cava de Viriato é ainda hoje um desafio para a investigação, por não haver provas inequívocas da época em que foi construída, nem da função que terá desempenhado na sua origem”, refere a investigadora Catarina Tente, que tem dedicado parte importante do seu trabalho científico ao monumento. “Esta iniciativa é mais um passo no sentido de lançar uma luz rigorosa sobre a sua história, mas também sobre a importante história de Viseu”.

Este trabalho cumpre uma das realizações previstas no protocolo de cooperação estabelecido já este ano entre o Município de Viseu eo  Instituto de Estudos Medievais da Universidade Nova de Lisboa, estando a cargo da empresa Geodrone.