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Mosteirinho (Coutos)

40.650028, -7.994163

Como ir?

Vindo de Norte, pela A25 e tomar a saída para Viseu Norte, no antigo IP5. Vindo de Sul pelo IP3 e destino A24. A saída é sempre em Viseu Oeste.

 

O que ver?

Ponte Ferroviária de Mosteirinho, Fonte de Santa Eufémia, jardins da Quinta do Barreiro, antigos Paços do Concelho de Couto de Baixo, Igreja Matriz de Couto de Cima, Antas da Lobagueira.

 

Onde comer?

Na Quinta do Barreiro, mas no Verão tem eventos. Certo e saboroso é o Café Penedo, em Dade, onde a dona Luísa prepara uma chouriça no fogo e faz uma maravilhosa cabidela de galo.

 

O que comprar?

Estas aldeias produzem dos melhores hortícolas e frutas que a região tem para oferecer. No Couto de Cima há também produtores de vinho da região do Dão.

 

A quem perguntar?

Ao senhor Fernando do Café Alambique, mesmo por baixo da ponte de Mosteirinho, e à professora Alcina, no Largo das Rosas, em Couto de Baixo.

 

Porque devemos visitar Mosteirinho?

Porque é perto, tem muito para contar e uma ponte em ferro, presa das alturas, que é conhecida mundo adentro.

Para visitar esta aldeia precisa de tomar como bom o número 10, que são os quilómetros que a separam da cidade e a numeração inscrita na Ecopista de onde vislumbra um fabuloso panorama para o Caramulo e para o casario, que conta outra história.

Comecemos pela política: Mosteirinho integra os Coutos, povo antigo que até 1837 foi concelho. Os registos apontam para que o Couto tenha vislumbrado a existência em 1090, com a doação da igreja de Santa Eulália de Couto de Baixo à Sé de Coimbra. Frogia e o irmão Ero, construtores da igreja, ter-se-ão deixado seduzir pelas terras férteis, banhadas pela ribeira de Asnes que nos salta ao caminho não tarda nada. Estes eram termos do Mosteiro de Lorvão que aqui tinham os Coutos de Santa Eulália e aqui deixaram marcas impressionantes. A hidráulica, que alimenta de água córregos e ribeiros, casas solarengas e uma vetusta ponte que é o nosso destino.

Saindo de Viseu pela Avenida de Cidade de Aveiro, logo a seguir ao cruzamento de Orgens, pode observar o proscénio agrícola da região que tem assomada em Figueiró, quando observa as vinhas, a ecopista e o vale de São Cipriano. Andando mais 6 quilómetros assomou aos Coutos, tem as faldas do Caramulo nos olhos e muito para debulhar. Lembra-se de Santa Eulália? No Couto de Baixo, uma aldeia bem preservada e com ruelas encaixadas em grossas paredes de granito, o pelourinho namora a fonte de Santa Eulália. A antiga casa da Câmara ainda lá está e até é provável que consiga uma visita e quem lhe mostre, dentro do pátio, a antiga prisão. Olhando o Pelourinho e atravessando o Largo das Rosas, e o solar que acolheu os antigos Paços do Concelho dos Coutos, cruza calçada antiga, desce à lavoura familiar e espreite a Fonte Velha.

As hortas são debruadas a laranjais, a água sopra ao ouvido, as serranias mitigam a existência e qualquer caminho nos leva a Mosteirinho, que deve alguma da sua história à Companhia Nacional de Caminhos de Ferro.

O ideal é percorrer ruelas e vielas, de máquina fotográfica a tiracolo e olhos de ver. O viaduto ferroviário está hoje desativado e nele corre a Ecopista do Dão. Subir é fácil: tome a rua da Calçada e entre na ponte. Chamam-lhe Ponte de Ortigueira e terá sido desenhada por Gustave Eiffel, e cá em baixo corre a Ribeira de Asnes. Tem a seus pés a solarenga aldeia de Mosteirinho.

Aguce a audição, pois as bicicletas e pessoas correm no meio da paisagem e avisam antes de se cruzar consigo. Não se assuste, retribua saudando, olhe a paisagem e percorra os 184 metros da ponte, espreite o antigo apeadeiro ferroviário, ande mais uns metros na trincheira e sente-se na Tarva. Beba da bica, aprecie os lameiros e as leiras e volte atrás. Desça, avance à Rua Senhor do Mundo, cruze a Travessa das Alpodras e molhe os pés na Ribeira. Sim, a de Asnes, onde poderá meditar da razão de ser de um dos mais extraordinários engenheiros franceses, com obras dos dois lados do Atlântico, escolher esta paisagem para construir uma soberba ponte metálica, de onde podemos observar a grandeza montanhosa da Serra do Caramulo. Dizem que a linha terá sido construída pelo empresário Henry Burnay, que a recusou, e foi o Visconde da Macieira e o Conde da Foz quem empreitaram a ferrovia. Empreendedores, terão aproveitado Gustavo Eiffel, que entre 1875 e 1877 viveu em Portugal, para lhe pedir meças ao génio. Bem sei que a história requer preciosismos, mas José Coelho dos Santos, que escreveu “O Palácio de Cristal e a Arquitetura do Ferro no Porto em meados do séc. XIX”, diz que a ponte é do famoso engenheiro francês. Também Matoso Martinho e Homem Lunet, que deram ao prelo a história da Linha do Dão, tomam a história como boa. Indiferente à história a estória de Mosteirinho é firme. Em 1933, a Companhia Nacional construiu uma gare e um alpendre para abrigo dos passageiros nesta linha que nessa altura apresentava a categoria de paragem. Uma paragem para sentir a terra e o rio que corre à superfície, o vento que sopra do Norte e a passarada que sobrevoa o vale. E uma paragem para verificar que trilha seguir ao caminho. Escolhas não faltam e pode até optar por umas estranhas estruturas de pedra. A Anta do Repilau é exemplo maior do megalitismo da Beira Alta, construído no terceiro milénio, não o atual, mas o de antes de Cristo. Se optar por Masgalos, corre uma água que sai das entranhas do granito, a Fonte das Duas Bicas. E no Couto de Cima, arte sacra no seu esplendor, um altar em talha dourada, peça única da Igreja Matriz.

Viseu surpreende-nos onde menos esperamos. E 10, o número que lhe falava acima e o quilómetro da Ponte de Eiffel que tem a melhor vista, são os dias ideais para ver tudo quanto deve. Nos Coutos, claro, que para o resto sobejam vistas, crescem dias.

 

Autoria: Amadeu Araújo

Edição: Divisão de Comunicação, Informação, Protocolo e Relações Externas do Município de Viseu

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