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Vila Corça (Povolide)

40.644766, -7.771145

Como ir?

Pela EN-16, a leste de Viseu e tomando o rio Dão a estibordo.

 

O que ver?

Moinhos do Rio Dão, arqueologia da EN-16,  Capela da Senhora das Romãs, construída a expensas do povo em 1760.

 

Onde comer?

No Espelho de Água, em Vila Corça há sempre petisco para a merenda.

 

O que comprar?

Vinho, maças e avelãs.

 

A quem perguntar?

No Buick Bar há sempre prestimosos a quem indagar.

 

Porque queremos ir a Vila Corça?

Visitar Vila Corça é percorrer um imenso espelho de água, ao longo do rio Dão, tendo água e vinhas por companhia. É perceber melhor a força de um rio único, num passeio ribeirinho que tem ainda o condão de mostrar um troço bem conservado, e esquecido, da EN-16, uma quase centenária estrada, que ainda se pode percorrer de farnel e com todos os vagares.

Vila Corça é uma varanda para a o rio, uma senda da vontade humana que moldou a natureza e criou esta paisagem, avançando por entre oliveiras, videiras, macieiras e castanheiros. A aldeia espraia-se entre arvoredos verdejantes e a doce frescura do rio Dão, que desliza, ora pujante, ora cristalino, a seus pés. Cada curva no rio significa uma curva na estrada e prodigiosas vistas num cenário natural, puro, simples e sensível, onde o trabalho dos homens acrescentou à paisagem uma expressão original e nova, com longos vinhedos plantados ao correr do Dão. Quem a visita, surpreende-se pela intensidade do verde das margens, dos azuis do céu e da água, recantos paradisíacos, diversidade de habitats e uma tremenda variedade de peixes e aves que habitam ao longo do Dão. Aqui e ali pequenos recantos escondidos, pedaços de vivências de antanho, como as centenárias oliveiras que marcam a estrada. O rio torna férteis as margens, habitadas por quintas e pinhais. Socalcos da cidade vinhateira, um cenário de tranquilidade que marca Vila Corça, lugar ribeirinho e irrigado. Dizem os antigos que a toponímia advém da caça à corça, que há séculos atrás aqui existia.

Hoje, este local paradisíaco permite banjos, canoagem e aventuras de bicicleta. Mas extraordinárias são as duas vistosas léguas por entre os enormes pinheiros e os vinhedos, que vão até muito perto das margens. Aqui, a agricultura é moderna, mas o cultivo tem tradição secular, protegida por castanheiros e carvalhos. As habitações de granito e xisto são coloridas pela vegetação campestre de urzes e giestas. Uma longa margem sul do Dão que permite o contacto com a floresta, avifauna, rio e a diversidade de paisagem agrícola, onde sobressai o cultivo da vinha. São vinhedos a perder de vista, ali e acolá, e pequenos moinhos acobertados nas margens do rio por entre recantos, paisagens verdejantes e um enorme encanto natural, uma constante do melhor que a natureza tem para nos oferecer. Se abrir os olhos e escancarar os ouvidos, pode encontrar gaios e gralhas, melros e piscos, num ambiente rural, ameno e relaxante, pleno de brilho e vida.

Toda a aldeia acompanha a albufeira de Fagilde, um lugar de serenidade que possui uma vista deslumbrante sobre o espelho de água do rio Dão.

No regresso, terminada a aldeia, pode sempre cruzar a barragem e retomar a EN-16, no troço entre Nesprido e Prime. E toda a arqueologia desta estrada, quase cinquentenária, por lá permanece, desde o recanto para o piquenique aos sinais rodoviários ainda em cimento e à antiga toponímia e publicidade em azulejo. Memórias esquecidas no alcatrão, penduradas nas casas, ao longo de um percurso que mostra o lado mais natural do concelho.

 

Autoria: Amadeu Araújo

Edição: Divisão de Comunicação, Informação, Protocolo e Relações Externas do Município de Viseu

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