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Mosteiro (Silgueiros)

40.558553, -7.956884

Como ir?

Vindo de Sul pelo IP-3 e depois, em Tondela, a EN-337. Vindo de Norte sair de Viseu pela EN - 231 e virar à direita em Oliveira de Barreiros para tomar a direção de Silgueiros.

 

O que ver?

O Museu de Silgueiros, detentor de um património único de etnografia e, junto ao rio, o “poiso das urnas”,

 

Onde comer?

Na Sepa do Dão, mesmo no centro de Loureiro. Há sempre carne na grelha e massas. Do lavrador e de galo.

 

O que comprar?

Vinho, nos pequenos produtores ou na Adega Cooperativa.

 

A quem perguntar?

Ao João, no posto de Correios.

 

Porque queremos ir a Mosteiro de Silgueiros?

Porque são as vinhas e as cepas, os dois lados do octógono, a Estrela e o Caramulo, os Passos, as Lages e o Mosteiro. Sim, do lado de lá do Dão também eu vejo o casario de pedra lavada. Mas fique por cá, em Mosteiro, terra que lavrou a reconquista, pelejas e moçárabes e esse cavaleiro, a quem tanto deve a pátria. Situada numa encosta sobranceira ao rio Dão, a aldeia prolonga a margem do rio, faz crescer os cedros e os choupos, escondendo recantos, espreitando barrocos, as vinhas e os pinhais. O Mosteiro é casas de blocos de granito, matas de pinheiros a cair ao vale e, do outro lado do rio, vestígios da passagem dos Romanos. E foi também aqui que foi fundada a Igreja de Santa Maria, em 1186, já o Norte do rio Mondego assomava à tarde portuguesa e ainda o Sul do rio que corre adiante da aldeia era ocupado pelos Sarracenos. É para o Mondego que corre o Dão, de onde bebem as cepas que produzem esse vinho antigo e nobre.

Ao longo do afluente do Mondego, o carvalho, o castanheiro e a cerejeira. E a fauna. Melros de água, raposas, javalis e lontras. O Mosteiro permite ir e vir ao Dão, quase uma légua ribeirinha, espreitando barbos e bogas, cruzando as poldras, molhando os pés e, para os afoitos, canoando pelas margens.

Mosteiro é uma parte do Dão que é, sem dúvida, terra abençoada para a produção de vinho. Que o digam as dezenas de lagaretas seculares que povoam toda a margem direita do rio, quase sempre à mesma altitude.

Luís de Loureiro veio depois de Daniel e Sancha Gonçalves, fundadores e opulentos proprietários da região por onde sempre correu vinho e histórias, como as que estão ocultas no brasão da Capela do Mosteiro, provavelmente de Manuel de Loureiro, pai de Luis de Loureiro, que aqui foi capitão dos exércitos da reconquista e aqui bravejou quarenta e três anos. Mosteiro é aldeia charneira deste fértil minifúndio, acolitado entre os rios Dão e Pavia, os dois correndo ao Mondego, rompendo socalcos que o vinho frutificou e acrescentou mesas de reis e príncipes. Até o Infante D. Henrique aqui possuiu casas e casais, o Mosteiro um deles, e daqui mandou o Infante levar vinhos para as grandes e prolongadas festas realizadas em Viseu, do Natal aos Reis de 1414, antes de se abalarem à conquista de Ceuta. Mosteiro é história, imponência, natureza, admiração de naturais e forasteiros. Ao longo do Dão, um trilho que acompanha a natureza clama pela biodiversidade, crisma carvalhos centenários e alimenta bosques ribeirinhos.

Admirável é também a Igreja do Mosteiro, dos alvores da nacionalidade com um extraordinário altar-mor de talha dourada: uma peça única que abençoa a lavoura que aqui cresce e daqui abala para abastecer a quase totalidade do Mercado Municipal, em Viseu. Mosteiro e os eirados envolventes ritmam com a lavoura, a vida nos campos, o labor de quem vê crescer a natureza e, quase na dobra, as Poldras no rio Dão. E ao largo, em toda a volta, a todo o instante, vemos cepas e videiras, vinhas e parreiras. Vinho que se abalava cruzando o rio, subindo a estrada romana, deixando o Mosteiro, cismando na antiguidade, rompendo o granito e o xisto, alimentando todas as encostas voltadas ao Sudeste e ao alto, os Hermínios, protegendo o vale, as matas e as culturas.

 

Autoria: Amadeu Araújo

Edição: Divisão de Comunicação, Informação, Protocolo e Relações Externas do Município de Viseu

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