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Vilar do Monte (Calde)

41.560041, -8.671323

Como ir?

Saindo de Viseu, tome o Norte e apanhe a EN-2. Vilar fica a 16 quilómetros.

 

O que ver?

Capela e Igreja de Vilar do Monte; sepulturas antropomórficas de Calde, margens do Vouga.

 

Onde comer?

Café Rouxinol, comida caseira, em mesa franca. Nos dias grandes há bacalhau com grão.

 

O que comprar?

Mel de urze e licor de mirtilo.

 

A quem perguntar?

Ao Carlos Rouxinol, taxista com praça à entrada de Calde.

 

Porque devemos ir a Vilar do Monte?

Seguindo o dicionário, pela aldeia; seguindo a natureza pela existência de um local secreto, antigo, um enorme celeiro, pendurado nas rochas e, ao lado de espigueiros e canados, o moinho, uma etnografia que vive.

Rompendo a EN-2, rasgando ao cruzamento de Calde, tomamos a margem esquerda de um ribeiro que corre ao Rio do Mel. Está por sua conta, adivinhando caminho, seguindo a estrada florestal, deixando as casas e descendo à picada. Desce-se o vale e cerca de 2 quilómetros depois começam a avistar-se as belíssimas paisagens de uma aldeia onde corre uma ribeira e onde apenas se ouve a natureza. Esbracejando o granito, estão estas lajes que suportam um complexo conjunto de palheiros e espigueiros, canastros que contam o passado quase longínquo e os modos de vida de uma aldeia que cedo sentiu o pulsar do milho, secando o cereal, regressando ao espaço, compreendendo o evoluir do homem, do artesão, fechando o ciclo.

Vilar do Monte é tempo esquecido, natureza tranquila, paisagens intocadas pelo rumor das águas, um anfiteatro natural, um encómio das serras, as encostas feitas socalcos que aqui, aqui a vida consegue mostrar o que de melhor guardou para nós, um esteio de antiguidade, um vislumbre de outros modos.

Lajes e eiras, vigiando o ribeiro que rompe o maciço granítico, onde os antigos cravaram um complexo conjunto de palheiros e espigueiros, numa fecunda harmonia com o que de melhor a natureza oferece. Espigueiros em pedra e assentes num afloramento de granito, que durante séculos constituíram uma eira comunitária.

Vilar do Monte é repositório, imenso, intenso de substantivos, adjetivos, advérbios, pronomes e verbos. Vilar são as fissuras do sonho, janela embaciada pela natureza, uma manta onde precisamos dos pés para caminhar, para descobrir o intocado, um encontro romântico, estupidamente perfeito, entre a memória intermitente e o presente lembrado por estes canastros e celeiros. Espigueiros ao alto, eira ao baixo, plana e arejada, desfolhando milhos, que já foi “trigo índio”, lembrando os canais e o regadio.

Cruzando o ribeiro, o moinho movido a água, enfarelando broa e pão, sustento de modos e gentes. Tempo de pensarmos, imaginando outros tempos de moleiros e almocreves.

Correndo entre a vegetação a ribeira corre ao rio e ao Vouga, magicando campos, searas, terras de cultivo e floresta. A paisagem não cansa, exige passos lentos e olhar furtivo. Os espigueiros e as eiras caracterizam o lugar, por onde corre o sossego e se recompõem as energias.

As Lages de Vilar do Monte merecem todo o tempo para percebermos, e entendermos este edificado, esta fenomenal obra popular, esta prodigiosa dispensa onde, durante lautos anos, o povo guardou o alimento para o ano inteiro. Ladainhas e sacrários, pedras e ripados, a etnografia de um povo em todo o esplendor.

 

Autoria: Amadeu Araújo

Edição: Divisão de Comunicação, Informação, Protocolo e Relações Externas do Município de Viseu

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