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Várzea (Calde)

40.765625, -7.875007

Como ir?

Saindo de Viseu pelo terreiro da Feira de São Mateus, subir a norte, acompanhando o Caminho Interior de Santiago ou a EN-2 e, a 14 quilómetros, cortar à direita.

 

O que ver?

Casa de Lavoura e Oficina do Linho, as poldras junto ao rio Vouga e a barragem. Ponte velha e o casario beirão.

 

Onde comer?

Na Rampinha há sempre fumeiro e casqueiro, broa e morcela, iscas de presunto e conversa.

 

O que comprar?

Linho, 40 euros o metro quadrado e produtos da agricultura, biológica, local.

 

A quem perguntar?

Ao senhor Hermenegildo, sapiente conhecedor da etnografia.

 

Porque devemos ir a Várzea?

Várzea justifica a bússola apontada a Norte, as sementeiras do linho, o cadenciar dos teares e uma riqueza adormecida que acorda em cada Primavera, tocada por mãos firmes de mulheres delicadas e rostos trigueiros.

Situada num terraço natural com uma magnífica vista sobre um vale onde corre o rio Vouga, a Várzea é um prodígio no meio da natureza, tocado pelas levadas que embalam ritmos e sementeiras, fiando e tecendo.

Várzea é uma tira do Vouga, pedras sobrepostas na água, atravessando rio sem molhar pés, olhando o velho moinho, apreciando a natureza e conhecendo uma aldeia marcada pelo linho, que ditou evidências e modos, tecendo voltas, ripando e atando. Uma vida de molho, um maçadoiro feito estaquinha. Uma valente espadelada, o linho que seca, os fios que dobam. Várzea é esse merecimento da planta, da linhaça, dos teares, a ligação da terra ao homem, como o mostra o Museu do Linho de Várze de Calde, forno e pão, lagar e adega, as taleigas e as tulhas, salgadeira e cozinha. Pão e vinho sobre o linho: esta é a hospitalidade beirã, contada fio a fio, seguindo o rio que conta memórias, trazendo generosidade, da colheita à fiação. Arrancado, malhado e moído. Espadelado, batido, “sedeirado” e haja fuso, dobrando e lavando.

Várzea de Calde é uma aldeia onde corre água, vertida aos pés do Museu, na Fonte de S. Francisco, no rio que inunda as leiras e os rincões, o regadio que levou D. Maria I a acreditar nas sementeiras. Várzea é a casa de lavoura, a oficina do linho, o bater de muitos teares e as fiandeiras cantando e encantando, escutando o sussurro das águas, levando as espigas, lavando rio e ribeira, as eiras e os cantares. E esse valente arraial do três de outubro chamam-lhe os tecedores de “Toco de S. Francisco”: roubam-se pinheiros, chiam os carros e, no adro, o vozear, de ano intermitente, dançando todos, vassourando as sobras do milho e do linho. E descendo ao rio, os campos cultivados, as videiras enlatadas, os encanamentos, atravessando as pedras para Sanguinhedo, cortando para a barragem, uma extraordinária paisagem, verde e azul, cadenciada e sincopada. A Várzea é o linho, é a terra, é a generosidade da natureza, feita magia, tecida e dobada. E vestida pois então!

 

Autoria: Amadeu Araújo

Edição: Divisão de Comunicação, Informação, Protocolo e Relações Externas do Município de Viseu

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