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Ribafeita (Ribafeita)

40.752215, -7.984922

Como ir?

Pela EN-2 ou pela EN-16, o melhor caminho é sempre partir de Viseu.

 

O que ver?

A Fonte, em granito, junto à Igreja paroquial de Ribafeita, a central elétrica ao fundo da aldeia, o Museu da madre Rita de Jesus. Marco Territorial Pedra da Cobra Moura e as poldras no rio Vouga.

 

Onde comer?

Na Esplanada, em Gumiei, há sempre vitela.

 

O que comprar?

Uma raríssima, e difícil de encontrar, aguardente de morango, mel e castanhas.

 

A quem perguntar?

Ao senhor Manuel, um cantoneiro da freguesia que anda sempre em melhoramentos.

 

Porque devemos visitar Ribafeita?

Ribafeita fica nas margens do Vouga e por cima da via que ligava Viseu ao Porto. Merece a visita pelo mergulho numa ecologia antiga, na arqueologia industrial, e por ser casa de duas personagens pouco conhecidas da história portuguesa: a madre Rita e o médico Samuel Maia. Aqui, as paisagens são infinitas, escondidas entre verdes ramagens e, ao fundo, o Vouga, serpenteando os contrafortes da serrania. É o rio que dita os socalcos, incrustados na paisagem sobranceira, um regalo para a vista, uma cascata verdejante que desce da aldeia, até às águas limpas e cantantes do rio, onde se encaixou a primeira companhia de eletricidade de Viseu. A Elétrica Viseense já foi da câmara municipal, hoje é da EDP, mas passados 111 anos continua a produzir energia a partir deste extraordinário rio. Aqui reside uma das principais belezas, um canal de granito que percorre a margem esquerda entre Lustosa e Ribafeita. Descendo ao leito do Vouga pode ver uma floresta autóctone, intocada e fértil. Morangueiros, carvalhos e freixos bordam a descida onde encontra uma levada. Mais ao fundo a central propulsora de energia, alimentada a fio de água. Ao lado os socalcos por onde pontuam vinhas em latada, lameiros e pastos.

Ribafeita é também terra santa, da Beata Rita que aqui tem museu e uma vista panorâmica deslumbrante sobre uma extensão enorme do rio, caminhos íngremes e pedregosos, sempre com o serpentear agreste do Vouga lá bem no fundo dos montes! E claro o aconchego desse escritor, Samuel Maia, prodigioso nos anos 20 do século passado, um preclaro filho da terra, inculcado no parisiense "Le Figaro" que galvanizou “Mudança d´Ares” escrito por este médico formado pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e que se consagrou como escritor com o romance “Sexo Forte” e com a novela “Língua de Prata”, que lhe conferiram o prémio Ricardo Malheiros da Academia de Ciências. Mencionado por António José Saraiva e Óscar Lopes, Samuel Maia foi autor do livro ‘O Vinho, Propriedades e Aplicações’ que vendeu trinta mil exemplares na década de trinta do século passado. Mas retomemos o "Mudança d´Ares" para encontrar Ribafeita no topo da íngreme subida, belamente descrita neste livro romanceado. Ao longe a Arada e ali mesmo ao lado o Monte de São Mamede e no calcorrear as lajes antigas que ditam a história do povo feita ao correr do Vouga, com rápidos, remansos, praias e poços. Natureza, livros; engenharia e santidade são pois bons, e bastos, encómios para visitar Ribafeita.

 

Autoria: Amadeu Araújo

Edição: Divisão de Comunicação, Informação, Protocolo e Relações Externas do Município de Viseu

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