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Sanguinhedo (Côta)

40.751757, -7.883458

Como ir?

De Norte vindo pela A-24, cruzando Folgosa. De Sul pela A-25, cruzando Mundão. Em ambos os casos é tomar a EN-323 e seguir em direção ao Zonho.

 

O que ver?

Fonte Férrea; a Capela do Santíssimo Salvador, cujo panorama se estende ao Vouga e a Ponte Romana do Vouguinha. Cruzeiro de Zonho de Côta.

 

Onde comer?

Na Cervejaria do Vouguinha o casqueiro embrulha qualquer petisco, sobremodo queijo e presunto.

 

O que comprar?

Maças e castanhas, na época delas.

 

A quem perguntar?

Na gasolineira do cruzamento da Junta de Freguesia todos lhe indicam o que precisar.

 

Porque devemos ir a Sanguinhedo?

É lá que estão as pedras, deitadas no verde da Beira e é por lá que correm as águas de Côta, grafismo antigo dito na Côta de hoje e também essa lá está, no Alto de São Salvador. Cá em baixo, abrigada pelas copas das árvores, esconde-se uma paisagem encantadora, rasgada por pequenos riachos que fazem desta pequena viagem ao itinerário romano que ligava Viseu ao Douro uma odisseia pela natureza. Floresta generosa e efusiva; a impetuosidade do Vouga rompendo o possante granito, cruzando chão antigo e história escondida a cada passo na anciã floresta, alguma dela conservada intacta desde os tempos. Sanguinhedo bordeja dois rios, Vouga e Paiva, guarda antigas casas florestais e mantém um viveiro de mil árvores, fazendo desta aldeia um local paradisíaco, com pastagens, eiras e espigueiros, represas e nascentes de água.

Sanguinhedo é terra egrégia e consta do Dicionário Geográfico do Reino de Portugal, sim, do que escapou à tremura de 1755. Mais antiga, ainda, é a ponte que cruza o Vouga. Ponte romana galga o rio num único arco e são estas pedras, de onde escorre uma água prodigiosa, que contam um pequeno pedaço da história. Subindo sempre o Vouga a aldeia fica num pequeno vale, aos pés de São Salvador e o nosso destino é a floresta. Não se preocupe com o caminho, feito para bólides e calhambeques. Em chegando à fonte D’um Santo, corte pela esquerda e procure a placa castanha que indica a Pedralta. A Pedralta é parte duma vasta necrópole que se expande entre Sanguinhedo e Nogueira. Duas dezenas de megalíticos cujos esteios estavam pintados a vermelho. Foi descoberta, e escavada, pelo arqueólogo José Coelho, que tem museu na cidade e quem deu a conhecer a arte pintada em monumentos megalíticos. Olhe em volta, quase tocamos o céu, por entre centenários pinheiros num modo de vida quase intocado. Não se surpreenda se vir pessoas de sachola na mão. O povo é generoso e cultiva as leiras nesta floresta de pinho que preserva hábitos ancestrais. Acredita-se que estas sepulturas escavadas na rocha sejam anteriores ao Império Romano, que de resto também por aqui andou e deixou de legado a estrada que ligava Lamego a Viseu. Depois vieram os suevos e esta Côta transformou-se numa aula de história, que ainda hoje é. Mais encantador foi João Lopes que aqui descobriu uma “nascente de água férrea”. As duas nascentes, S. Salvador e Castanheiro do Monte, correm por entre maciços blocos de granito e são tidas como reconstituintes. Hoje são o córrego da Fonte, mas Sanguinhedo permanece aldeia notável, pejada de arqueologia e sabedoria; prenhe de espiritualidade. A vida aqui é velha de antiga, entranhando-se nos povos primitivos da Lusitânia, como o sublinhou João Corrêa, na obra homónima. Mas Sanguinhedo é ainda a floresta viva, o rio quase inalterado, rasgando a pedraria, coroada pelas pinturas dos esteios da Anta Maior da Pedralta, ícones da arte megalítica pintada do Noroeste da Península Ibérica, dentes e molduras, geometria de triângulos, bordejando o perímetro florestal, um baldio nado em 1888, como o atestam Henrique de Barros e Manuel Costa Lopes. Um logradouro comum, feito obra de povoamento, num ecossistema com origem na verdejante serra que encima Sanguinhedo e esse é motivo para vir por cá, esquecendo o tempo, ouvindo o murmurejar da água, sentido o vento e correndo ao alto.

 

Autoria: Amadeu Araújo

Edição: Divisão de Comunicação, Informação, Protocolo e Relações Externas do Município de Viseu

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