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Monte de Santa Eufémia (Cepões)

40.760040, -7.809244

Como ir?

Saindo de Viseu, para Norte, pela EN-229, depois de atravessar Travassós, Mundão e Cavernães vira-se à esquerda na direção de Côta.

 

O que ver?

Nichos de Alminhas, escavadas na rocha; o Lagar dos Mouros, a Ponte do Vouguinha e a Igreja de S. Tiago Maior e os seus 63 santos pintados no altar-mor.

 

Onde comer?

No “Curral da Burra”, em Cepões, a D. Isabel faz um valente pato recheado com pinhões ou um arroz de feijão “malandro” acompanhado de saborosas fêveras grelhadas.

 

O que comprar?

Mel e castanhas.

 

A quem perguntar?

Ao senhor Horácio, um agricultor que anda sempre por Cepões ou na gasolineira à entrada da vila. Os mais velhos saberão sempre acrescentar motivos para alagar o caminho.

 

Porque queremos ir ao Monte de Santa Eufémia?

Para ver um dos maiores penedos de granito que o país guarda, entre outros tesouros geológicos, e para pisarmos uma infindável e formidável mancha florestal, que esconde a extraordinária estrada de Alves Martins, bispo da cidade. E, claro, é onde esse verde pinho guarda as pedras de Cepões. O Monte de Santa Eufémia é um imenso miradouro sobre a natureza, encavalitado numa poderosa fraga, onde apenas escutamos o silêncio e pressentimos a contemplação. Essa fraga, que responde pelo crisma de Laje Gorda, terá 400 a 500 metros de comprimento por 150 metros de largura e 50 metros de altura. Um monte alijado ao caminho que Cristóvão Moreira de Figueiredo e Aquilino Ribeiro chamaram de Estrada do Bispo Alves Martins, certamente porque aqui principiava o trajeto que ligava Viseu a Alijó, onde nasceu o distinto prelado. E esse é um motivo singelo e extraordinário para visitarmos o Monte onde pressentimos a emoção no ar, a religiosidade dos povos e os hábitos de outrora. A ermida é o centro de um círculo de religiosidade, com cinco capelas em volta: S. Sebastião no lugar de Cepões; Santo Estêvão em Nelas; Santo Amaro em Bertelhe; S. Brás em Aviúges e S. Bernardo em Vila Chã.  Uma coroa de cristandade que se deixa ver do alto do pedregulho, riscado num antigo caminho das legiões, uma das onze vias romanas que irradiavam de Viseu e que incluía o troço da ligação entre Viseu e Lamego. O Monte permite apreciar toda a beleza que rodeia o Vouga, num sopro telúrico que mantém o quotidiano humilde e sereno, envolto num imenso e infindável verde que esconde corpulentos blocos de rochas. A Laje Gorda, que será monumento nacional, acolita a Ermida de Santa Eufémia, em terra de chão antigo e acidentado, delineado por um extraordinário caminho que permite vislumbrar os riachos e a lagareta, o Lagar dos Mouros e algumas tégulas romanas. Lendas como a que reza que foi no Solar de Canidelo que Inês de Castro se refugiou. Talvez, mas o sopor telúrico sente-se caminhando a Norte, ao longo do rio Vouga, corgo que contorna o Monte de Santa Eufémia. E há ainda essa extraordinária fábula, guardada no livro “Tombo de Baldios”, que mostra como o povo se apropriou das terras e as cismou de “tomadias”. Indiferente à história, o Monte foi caminho de almocreves que, do Norte, demandavam Viseu. Chão velho, mas não gasto, pedras preservadas e alinhadas, encavalitadas em muros. Pinhol Leal e um cronista apelidado de “Seltibero Lusitanus” descrevem o Monte como sendo uma natural linha de defesa para qualquer força organizada. Afinal, é aqui que as gentes da Beira melhor mostram o seu caráter de defesa intransigente do rincão pátrio.

Indiferente às lendas e às histórias, não deixa de ser extremamente agradável percorrer os caminhos e imaginar que por lá andou Alves Martins, nos intervalos da construção do Paço do Fontelo, para abrigado nos imensos contrafortes de granito e sentir esse poder da meditação que nos dá esta imensidão reconfortante.

 

Autoria: Amadeu Araújo

Edição: Divisão de Comunicação, Informação, Protocolo e Relações Externas do Município de Viseu

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